Proteína fossilizada foi descoberta em um osso de dinossauro de 195 milhões de anos

David Nield, 4 Fev 2017

Quando os cientistas descobrem ossos e outras partes duras no solo, podem às vezes encontrar restos de material orgânico anexado. Mas nada que nós encontramos chega perto da idade das proteínas descobertas recentemente em um dinossauro fóssil datado de 195 milhões anos.

dinossauro

Isso é cerca de 100 milhões de anos mais antigo do que os fragmentos de colágeno encontrados no osso da coxa de um hidrossauro em 2009, e poderia dar-nos um olhar retrospectivo único na biologia de outros dinossauros que vaguearam a Terra naquela época.

A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade de Toronto em uma costela de um dinossauro Lufengosaurus, um herbívoro de pescoço longo que percorreu o que é agora o sudoeste da China durante o período Jurássico Inferior.

“Essas proteínas são os blocos de construção de tecidos moles de animais e chega a ser emocionante entender como elas foram preservadas”, diz um dos pesquisadores, o paleontólogo Robert Reisz.

proteina

Com a ajuda de colegas da China e de Taiwan, os pesquisadores usaram uma máquina de síncrotron para analisar amostras fósseis.

O dispositivo utiliza espectroscopia de infravermelho, ou feixes de luz direcionados, para identificar materiais – neste caso colágeno e proteínas ricas em ferro – sem correr o risco de contaminar as amostras.

Descobertas anteriores de colágeno desse tipo exigiram a dissolução do resto do osso fossilizado, mas a equipe por trás desta última pesquisa diz que esta técnica não invasiva pode abrir caminho para encontrar ainda mais restos orgânicos no futuro.

Encontrar qualquer tipo de material de tecido mole é muito raro, um vez que ele normalmente decompõe naturalmente, deixando apenas os restos ósseos.

Os cientistas ainda não sabem por que algumas proteínas e colágeno são capazes de sobreviver por tanto tempo, mas neste caso os pesquisadores acreditam que os vasos sanguíneos ajudaram a formar uma “micro câmara fechada” que isolou o material.

Os pesquisadores sugerem que pequenas partículas ricas em ferro deixadas pelo sangue que flui através dos ossos da costela podem ter sido a fonte da hematita que se ligou às proteínas e ajudou a protegê-las contra o desgaste do tempo.

Uma das idéias que o novo achado pode nos dar é como os dinossauros evoluíram para as aves que ainda vemos na Terra hoje, o que se pensa ter acontecido ao longo de apenas 10 milhões de anos – um intervalo de tempo muito curto em termos evolutivos.

Enquanto isso, Reiz diz que a técnica de síncrotron tem “grande potencial para o futuro”, e deve ser capaz de alcançar material orgânico, mesmo quando houver apenas uma quantidade minúscula que teria ficado para trás.

Dito isto, não espere em breve por um novo parque temático do tipo  Jurassic Park – estes fragmentos de matéria orgânica não são suficientes para fornecer DNA de dinossauros, que pode entrar em decomposição naturalmente dentro de meio século.

Alguns especialistas, incluindo Mary Schweitzer da Universidade da Carolina do Norte, dizem que os testes atuais são muito limitados para que possamos saber conclusivamente com que estamos lidando ao estudar estes ossos, reconhecendo que uma análise mais aprofundada é necessária.

Outros, incluindo Stephen Brusatte da Universidade de Edimburgo no Reino Unido, acham que as evidências já são fortes o suficiente. Nem Schweitzer nem Brusatte estiveram diretamente envolvidos na pesquisa.

“Encontrar proteínas em um fóssil de dinossauro de 195 milhões de anos é uma descoberta surpreendente”, disse Brusatte à BBC.

“Parece muito bom para ser verdade, mesmo porque esta equipe usou todos os métodos à sua disposição para verificar sua descoberta, o que parece ter se sustentado”.

Os resultados foram publicados na Nature Communications.

Fonte: Science Alert

 

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